ATUALIDADES E GEOPOLÍTICA PARA O ENEM

A CRISE NA VENEZUELA E OS FLUXOS DE REFUGIADOS

Olá, senhores!

Manter-se atualizado e ciente das questões geopolíticas locais e globais é de suma importância frente a preparação para o Enem e demais provas. A geografia  de diversos lugares, paisagens e territórios tem sofrido incontáveis mudanças nos últimos anos. Toda essa dinâmica geopolítica é resultado de diversas formas de disputa de poder, de controle e de hegemonia de sistemas econômicos historicamente desiguais.  A Globalização e a sociedade de consumo avançam descontroladamente.  A necessidade de energia, matérias-primas, novos mercados e mão de obra barata, resultam nas mais diversas formas de exploração. O resultado de tudo isso é a formação de grandes levas de desiguais, miseráveis, refugiados, verdadeira vítimas de disputas políticas e econômicas.

Um ponto a ser estudado na preparação para o Enem consiste na histórica crise em que se encontra a Venezuela.

– Quais as causas da crise?

– Quais as consequências no cenário mundial e latino?

– O Brasil e seu papel frente a crise?

Esses são alguns questionamentos que devemos propor durante nossos estudos e preparação para o Enem.

Gostaria de propor a vocês um breve resgate geopolítico e histórico do que conduziu a Venezuela a maior crise de sua história.

Histórico Recente

No ano de 1992, o então membro do exército venezuelano Hugo Chavez lidera um grupo desconte com as práticas de governo e tenta impor um golpe de Estado.  O golpe acaba fracassando e Chavez é prezo por 2 anos, após uma anistia abandona a carreira militar e passa a dedicar-se a política.  Nas eleições de 1998, foi eleito presidente da república. Após chegar ao poder da Venezuela, Hugo Chavez  dissolve o parlamento e convoca uma assembleia constituinte.   Após diversas mudanças constitucionais, torna-se elegível vitaliciamente, porém sua oposição torna-se cada vez maior dentro do país.

Em seu governo inicia o que ficou conhecida como Revolução Bolivariana, marcada por benefícios sociais, promessas de redução da pobreza, oposição ao imperialismo dos EUA e controle e nacionalização das reservas de gás e petróleo.

Após 14 de governo Hugo Chavez faleceu devido a um câncer, mas deixou seu sucessor e herdeiro político, o atual presidente da Venezuela Nicolas Maduro.

O Governo Nicolas Maduro

O sucessor de Hugo Chavez promoveu o continuísmo do modelo chavista. Medidas populistas e sociais, alicerçadas em uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo. Contudo, Maduro não goza da mesma popularidade de Chavez e sua oposição cresce a cada dia.

Nas últimas eleições Maduro perdeu a maioria no congresso, o que fortaleceu ainda mais o movimento de oposição ao governo. Em resposta, Nicolas Maduro dissolveu o congresso e deu poderes à suprema corte da Venezuela (membros indicados por Chavez e Maduro).  Maduro também convoca uma nova assembleia constituinte, apenas com membros a favor do modelo chavista. O congresso venezuelano passa a não reconhecer o governo de Maduro, nem as decisões da suprema corte. A crise e a instabilidade política tornam-se ainda mais severas quando o líder do congresso, Juan Guaidó, autodeclara-se presidente interino da Venezuela.

A Venezuela encontra-se em meio à maior crise da sua história. Tal momento possui uma série de fatores e em especial, diversas consequências.  A situação torna-se cada vez mais grave levando o país a um total desabastecimento e à produção do maior fluxo de refugiados de sua história.

A situação da Venezuela para por uma crise política, econômica e energética. As instituições políticas da Venezuela se opõem e não se reconhecem. Diversas medidas ditatórias são tomadas o que afasta qualquer investimento externo. Além disso movimentos oposicionistas, protestos e greves gerais tornam a situação ainda mais tensa.

Somando a questão política a economia venezuelana agoniza. O país possui suas principais receitas pautadas nas exportações de petróleo e gás natural. As sucessivas instabilidades, a desvalorização do petróleo e a crise dos combustíveis fizeram a principal fonte de arrecadação venezuelana despencar. O país empobreceu ainda mais e o governo não consegue honrar com suas promessas de benefícios sociais e combate a pobreza. Sem sua principal fonte de arrecadação o pais se descapitalizou e entrou em uma severa crise de desabastecimento. Pois, os principais produtos industrializados e seus insumos são importados e, devido à crise, o governo não consegue mais os comprar. Comida, remédios, material de higiene e limpeza estão faltando nas prateleiras e nas casas dos venezuelanos.

A crise afeta todos os setores, em especial os mais estratégicos, um deles é  o energético, o pais tem sofrido com os cortes e racionamento de energia. Os apagões são cada vez mais frequentes, escolas, aeroportos e hospitais chegam a ficar mais de três dias sem energia elétrica. O governo tentar responsabilizar os EUA pela crise de energia, mas os principais motivos seriam a falta manutenção das usinas e o sucateamento do setor.

O estado Roraima também é afetado pela crise energética da Venezuela, pois a energia elétrica que abastece vem da Usina de Guri, a maior da Venezuela, também está enfrentando problemas.

Fluxo de refugiados

Governos ditatorial, crise política, econômica e energética colocam a população venezuelana em condições subumanas. A própria ONU já declarou questões humanitárias na Venezuela. Tal vulnerabilidade promove a formação de grandes fluxos migratórios, estima-se que 2,3 milhões de venezuelanos já tenham deixado o pais. Na busca de melhores condições de vida, essas pessoas deixam seu país e tentam outras alternativas. Seus principais destinos são Colômbia, Peru, Equador e Brasil.

A porta de entrada de venezuelanos no Brasil é a cidade de Pacaraima em Roraima, cidade que faz fronteira com Santa Elena de Uiarén (Venezuela).

Calcula-se que já ingressaram no Brasil mais de 128 mil venezuelanos, os quais buscam melhores condições de vida e emprego.  Fogem da perseguição do governo, do desabastecimento e da extrema pobreza.

Apesar do Brasil ser um país tradicionalmente acolhedor de pessoas, o fluxo significativo causa severos problemas ao estado de Roraima. Serviços básicos, como saúde e educação, encontram-se lotados, grande população desempregada e crescente número de pessoas vivendo nas ruas. O governo federal iniciou um processo de interiorização de venezuelanos no Brasil. Estados como RS, PR, SP, RJ, AM, MT e PE já receberam levas de venezuelanos. Organismos locais tentam inserir estes migrantes e prefeituras providenciam moradias temporárias, carteira de trabalho, aulas de português e outras atividades também estão sendo realizadas para a acolhida venezuelana.

Desafio

O grande desafio posto à comunidade internacional é chegar em uma pacificação da Venezuela e também em um processo de estabilização do país. Somente após isso o país poderá retomar a normalidade e recuperar sua economia e estabilidade política, econômica, social e energética. Cabe também às lideranças da América buscar contribuir para a essa pacificação e redemocratização.

E, finalmente, para as nossas provas temos de permanecer atentos às questões geopolíticas que norteiam as tendências mundiais e o pensamento geográfico.

 

Prof. Helder Vieira



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